terça-feira, 17 de maio de 2011

O QUE OUVIU NO “PLETZL” (Coletânea de ditos populares judaicos)



Quando o coração está repleto,
os olhos transbordam.

Ao cão surrado, não se deve mostrar a vara.
Isso ajuda tanto como ventosas a um cadáver.

A carroça descansa no inverno;
o trenó descansa no verão; o cavalo, jamais.

Mais vale uma palavra, antes,
do que duas, depois.

A mulher te coloca em pé ou então
te deita por terra.

Se as coisas não são do jeito como você as aprecia,
você tem de apreciá-las do jeito como são.

O que ele diz, ele não pensa,
e o que pensa, não diz.

A maior dor é a que você não pode revelar aos outros.

Muita cantoria e pouco talharim!
Não adianta sabedoria nem preces
se as cartas não vêm.

Só com sabedoria não se vai ao mercado.

O homem que se afoga,
agarrar-se-á até à ponta de uma espada.

É mais bonito um remendo feio do que
um lindo buraco.

O mentiroso não crê em ninguém.
O mentiroso necessita de boa memória.

Se a sorte te bafeja,
até o teu boi dará à luz um bezerro.

Deus concedeu ao homem duas orelhas e
Uma boca, para que possa ouvir muito e
falar pouco.

O dissabor é, para o homem,
o que a ferrugem é para o ferro.

Parentes ricos são parentes próximos;
parentes pobres são parentes distantes.

Nove rabinos não fazem um minian,
mas dez sapateiros, sim.

Você não pode dançar, ao mesmo tempo, em dois
casamentos, nem sentar-se com o traseiro em dois cavalos.

Herança Judaica __ Revista trimestral da Editora B’nai B’rith, número 42 __ JULHO 1980 __ 5740   Biblioteca Pe. Sabiá __ Castro __PR

SLIHOT Eliezer Levin Afora a Luz bruxuleava ante a Arca da Torá, o local todo estava imerso em trevas




Quem não acredita em demônios, não sabe nada, dizia-me o velho Sender, contando-me esta estória que se passara na sua aldeia:
Era época de "Slihot" os dez dias que precedem o lom Kipur quando, seguindo o costume, depois da meia-noite, nos dirigíamos à Sinagoga para as pre­ces de purificação. Dada a hora tardia, o "shames" passava de casa em casa a ba­ter na porta para que ninguém perdesse os serviços.
Vivia na aldeia uma viúva, que mora­va sozinha; ela também, naquela noite, pretendia recitar os "slihot", e ficara acordada até tarde, à espera do "sha­mes". No entanto, atormentou-a o so­no, e acabou cochilando. No meio da noite, acordou com o ruído de uma forte pancada, e a voz grave do "shames" a repetir  o  pregão familiar:  "Erguei-vos, ó filhos, para o serviço do Criador". Sem perda de tempo, envolveu-se no xale e saiu. À frente da casa, deu com o vulto de um judeu, que lhe perguntou: "Va­mos à sinagoga?" A viúva, com muito medo de andar sozinha, acolheu de bom grado o convite. A aldeia estava adorme­cida, e em silêncio.  "Onde estarão os outros?         perguntou-se    a    mulher. Não terão ouvido o sinal do shames?". Como se lhe adivinhasse o pensamento, o homem retrucou: 'Todos já devem ter ido;   certamente   estamos   atrasados".
Ao chegarem, afora a luz que bruxu­leava ante a Arca da Torá, o local todo estava imerso em trevas. A viúva, aflita, subiu as escadas em direção ao balcão das mulheres.  Não havia ali viva alma. De novo ela se interrogou: "Onde esta­rão os outros? Teremos chegado cedo demais?". Lá de baixo, os olhos do ho­mem   a   acompanhavam   atentamente; eram negros como carvão e tinham um brilho de fogo. Ela se pôs a tremer. De repente,  os  braços do estranho se er­gueram e começaram a crescer; seus de­dos, longos e descarnados, já estavam a ponto de alcançá-la quando ela moveu os lábios   e   pronunciou:   "Shmá   Israel". Desprendendo-se do banco, precipitou-se para as escadas, e com desespero co­reu pela rua, até chegar em casa. Tran­cando a porta, murmurou ainda trému­la: "Agradeço-te, ó Deus, por me have­res   livrado   das   garras  do   demônio".
Nesse   instante, ouviu-se  o   relógio da aldeia bater a meia-noite. "Ai está", pensou a viuva "eu devia ter visto lo­go: era muito cedo para a ronda do shames".  Sentou-se e ficou aguardando o sinal. Passou-se mais algum tempo, e de novo, ecoou lá fora a voz grave do "sha­mes": "Erguei-vos, ó filhos, para o servi­ço do Criador". Desta vez, o escutara claramente. Envolveu-se no xale e saiu. Várias pessoas deixavam suas casas, es­fregando os olhos pesados de sono. Cau­telosamente, ela se juntou aos fiéis. Ao seu   lado,  envolto nas sombras, seguia um que levava, debaixo do braço, vo­lumoso  livro  de  rezas.  "Não se inco­moda     pediu  ela  se  formos jun­tos?" O judeu assentiu com ar piedoso, e,  enquanto caminhavam,  a viúva lhe foi contando tudo o que se passara com ela. Incrédulo, o homem exclamou:"De­mônio?!"   "Que  Deus  me castigue, se estiver    mentindo"        retrucou    ela. "E seus braços se elevavam tanto assim?"   mencionou  o  acompanhante,  e  er­gueu  o  seu  próprio  braço. Este come­çou a crescer, e a crescer, alongando-se cada vez mais. Ela quis gritar, mas não teve voz. Movendo os lábios, balbuciou: "Shmá Israel", e se pôs a correr, até chegar à Sinagoga, sã e salva. A Casa de Deus, a esta altura, estava apinhada de gente. A viúva meteu-se entre os fiéis, e finalmente recitou as preces das pe­nitências.
Esta estória, eu a ouvi da pró­pria mulher disse-me concluindo o ve­lho Sender.O que sucedeu a ela foi na verdade um aviso do céu, para que lavas­se os pecados. E você, meu amigo, quan­do é que o fará também? Olhe, os demônios andam soltos por ai'.

Adaptado de antigas estórias popular idish
Herança Judaica­ __ Revista trimestral da Editora B’nai B’rith, número 42__ JULHO DE 1980__ 5740

Pesquisado na Biblioteca Pe. Sabiá. Castro PR.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

terça-feira, 10 de maio de 2011

Li SiA


A história do chinês Li Si é mais antiga e ainda mais mórbida. Enquanto chanceler da dinastia de Qin, entre os anos de 246 e 208 a.C., o influente político inventou uma técnica de punição chamada de “As cinco dores”. A vítima tinha primeiramente o nariz cortado, depois uma das mãos e, em seguida, um dos pés. O próximo passo era castrar o torturado e, por último, corta-lo ao meio na altura da cintura. O homem era deixado lá, para morrer de tanto sangrar.
Li Si tinha muita influência durante o governo dos dois primeiros imperadores com quem trabalhou. Porém, quando o segundo morreu e um terceiro assumiu, sua força ficou balançada. Para tentar converter a situação, o chanceler passou a manipulador o imperador ao suicídio, ato que foi delatado por uma pessoa próxima. Li Si foi condenado por traição e morreu em 208 a.C. por meio da mesma técnica que inventou.

Marie Curie


A cientista polonesa Maria Sklodowska-Curie foi a primeira professora do sexo feminino da Universidade de Paris. Mas isso não quer dizer nada perto das outras conquistas: ela foi também a primeira mulher a ganhar um prêmio Nobel e a primeira pessoa a ganhar dois destes prêmios – de Física em 1903 e de Química em 1911. As vitórias decorreram da descoberta dos elementos rádio e polônio, além de um método para isolar isótopos radioativos.

Como foi uma das primeiras pessoas a pesquisar o tema, Maria não tinha conhecimento da nocividade dos materiais radioativos para o corpo humano – a palavra “radioativo”, inclusive, também foi invenção dela. Quase todo o seu trabalho foi realizado em um galpão sem nenhum tipo de proteção, que hoje foi convertido em museu. Mas seus livros e papéis são tão contaminados que estão armazenados em caixas de chumbo. A cientista morreu em 1934 de anemia aplástica, causada pela intensa exposição à radiação.